Uma das vertentes que costumo analisar, sobretudo quando me pedem recomendações sobre “que marca de telemóvel” comprar, prende-se com o equilíbrio entre a facilidade e o custo de reparação dos modelos de cada marca.

É óbvio que esta análise só se enquadra em situações não abrangidas pela garantia da marca, ou seja, quando ocorre algum acidente com danos visíveis no equipamento, ou, quando ocorre uma avaria após o fim do período de garantia.

Para alguns, comprar um telemóvel é um investimento que tem de perdurar por algum tempo e ser rentável, ao passo que para outros é um investimento mais efémero e facilmente se tem uma perspetiva de renovação do equipamento a curto prazo, pelo que não se dá a devida importância à possível reparação.

No meu entender, qualquer investimento acima de 300,00 € deve ser, na medida do possível, assegurado mediante a contratação de um seguro contra acidentes. Sim, porque não acontece só aos outros! Se se quiser “arriscar” ou se não puder dispender esse valor adicioal, então esta análise pode ajudar.

Para se fazer esta análise existem alguns factores a ter em consideração, uns terão um pouco mais de peso do que outros, mas, no fim, a ponderação de todos permite identificar quais as marcas mais fáceis de reparar. 

Fator 1 – Preço das peças

O primeiro fator é, obviamente, o preço das peças. Destaca-se a segunda “peça” mais importante que é o ecrã! (A mais, a placa mãe, falaremos à frente).

Regra geral, quando ocorre um acidente, o ecrã é a parte do smartphone mais afetada e a que diminui a sua utilização podendo mesmo ficar impossibilitado de usar o seu equipamento devido a uma simples queda.

Ao longo dos anos a evolução dos ecrãs passou de um “mix” de vários componentes (Vidro + Touch + LCD) fisicamente separados para um só componente unido através de processos de fabrico. Desta forma, apesar de possível, é extremamente difícil e com resultados menos satisfatórios, substituir apenas o vidro ou o LCD do telemóvel, sendo a melhor opção a de substituir o ecrã completo (Vidro + Touch + LCD).

Nesta vertente, a gama de preços oscila bastante e acabar por ser o componente que mais impacto tem na reparação de um equipamento (até para os mais “azarados” prendados com quedas frequentes).

Para exemplificar tomemos dois topos de gama das marcas mais prestigiadas:

No caso do Samsung S8 (março de 2017) cujo preço médio, segundo o KuantoKusta.pt, é de 638,00 € corresponde um valor para o LCD de cerca de 250,00€, ou seja 39% do valor do telemóvel. (Fora mão-de-obra).

Comparando a um Apple iPhone 8 (setembro de 2017), cujo preço médio é também, pelo KuantoKusta.pt, de aproximadamente 630,00 €, o custo de adquirir o LCD completo desce para 180,00€. Apenas 28% do valor do equipamento.

Por último, comparando a um outro equipamento topo de gama de uma marca menos prestigiada, como por exemplo o Xiaomi Mi6 (abril de 2017), o custo de um LCD é de apenas 90,00 €, o que representa, sendo o preço médio do equipamento de 445,00 € (KuantoKusta.pt), 20% do valor do equipamento.

Abordada a parte do ecrã, a “peça” mais cara é, obviamente, a placa-mãe (motherboard) do próprio smartphone.

Apesar de existirem lojas com disponibilidade para vender estas peças, regra geral são aproveitadas de equipamentos enviados para reparação ou recondicionados e, dado o custo, é quase sempre mais vantajoso optar pela aquisição de um equipamento novo.

Todas as restantes peças têm um custo relativamente baixo quando comparado com o valor do equipamento, contudo, a dificuldade da substituição ou a quantidade de mão de obra envolvidos poderão tornar neste caso a reparação mais ou menos cara.

Fator 2 – Disponibilidade das peças

O segundo fator a analisar é a disponibilidade e facilidade de conseguir adquirir as peças necessárias para poder reparar o equipamento.

Existem muitos sites e lojas dedicadas a esta área, onde é possível encontrar não só as peças mas também, caso se pretenda, as ferramentas para poder realizar a reparação.

Das marcas que facilmente se conseguem encontrar as todas as peças necessárias, incluíndo componentes e chips para a placa mãe, destaca-se a Apple. Isto apesar de nem a Apple nem os agentes Apple efetuarem reparações. (Pesa a favor da Apple a quantidade de modelos diferentes ser muito inferior aos dos restantes fabricantes).

Outra das marcas com maior disponibilidade de componentes é a Samsung, havendo de seguida um leque de fabricantes onde a disponibilidade é mais inconstante variando de modelo para modelo, nomeadamente, Huawei, LG, Sony, Asus, Nokia, BQ, Xiaomi, Oneplus e Wiko.

Por último, existe um outro conjunto de fabricantes onde, devido possivelmente a um número mais baixo de vendas e um custo também muito baixo dos equipamentos, é por vezes quase impossível encontrar peças e componentes para realizar a reparação, a saber, HTC, Alcatel, BQ, ZTE, Re-brand Vodafone, Qilive, NGS, Ulephone.

Fator 3 – Dificuldade

No que diz respeito à dificuldade, podemos identificar 3 aspectos determinantes para o sucesso da reparação.

  1. Facilidade de desmontar e montar o equipamento
  2. Separação dos componentes
  3. Acesso a informação sobre a construção do equipamento

O primeiro aspecto varia muito não só de marca para marca, mas de modelo para modelo. Com a adesão de muitos fabricantes a smartphones de corpo único (unibody) ou com tampas de bateria coladas o processo de desmontar um equipamento torna-se muito mais demorado e com riscos adicionais. (Por exemplo, para substituir uma bateria de um iPhone 5 ou superior, é necessário retirar o ecrã todo, podendo ocorrer algum dano durante o processo). Os smartphones com parafusos e tampas amovíveis tendem a ser mais fáceis de reparar.

No que diz respeito à separação dos componentes existem casos em que é possível com relativa facilidade substituir os componentes uma vez que estes estão ligados por fichas à placa-mãe, outros há que podem estar soldados ou incorporados tornando a substituição mais difícil.

Por último, ter acesso a informação sobre como o equipamento está construído e como funciona é de extrema importância. Esta é também uma luta frequente entre fabricantes e reparadores independentes, dado não existir legislação que obrigue os fabricantes a ceder a mesma. Para além de inúmeras fontes de informação sobre como os equipamentos estão construídos, como por exemplo o site www.ifixit.com, alguns equipamentos são construídos de forma mais “standard” do que outros facilitando a aprendizagem do diagnóstico e da reparação. Outros como a Apple por exemplo, recorrem a processos de fabrico pouco optimizados para tal situação ou até impõe mecanismos para dificultar que tal aconteça.

Fator 4 – Custo final

Por fim o custo final do processo não pode deixar de ser considerado nesta apreciação.

Quando analisamos os fatores anteriores, podemos facilmente concluir se um equipamento terá um custo de reparção total superior a outro dado não só a dificuldade do processo, como também a disponibilidade e preço dos componentes.

Consegue-se facilmente verificar que existem equipamentos com custos de reparação superiores apesar de os componentes serem relativamente baratos. Pode-se também verificar que algumas reparações necessitam de diagnósticos complexos e podem portanto não justificar o seu custo.

Classificação

Esta classificação serve apenas para referência e tem por base a minha opinião pessoal; e experiência em reparações; juntamente com a análise de outras referências, nomeadamente a tabela de classificações do site “IFixIt.com“.

Samsung
Fácil de encontrar peças e componentes
Custo do ecrã muito elevado
Equipamentos da gama alta mais difíceis de desmontar

Apple
Fácil de encontrar peças e componentes
 Preços dos componentes dentro do aceitável
 Difícil de montar e desmontar componentes internos
Falta de informação técnica para reparações avançadas

Huawei, LG, Asus, Sony, BQ, Xiaomi, Oneplus, Wiko
Preços relativamente bons tendo em conta o valor dos equipamentos
Forma de construção muito semelhante facilita o conhecimento
Nem sempre é fácil encontrar peças e componentes dada a variedade de modelos em cada marca

HTC, Alcatel, BQ, ZTE, Re-brand Vodafone, Qilive, NGS, Ulephone
Preços baixos mas ainda assim não justificam por vezes a reparação face ao valor do equipamento
Dificuldade em encontrar peças e componentes
Alguns materiais de fraca qualidade dificultam a reparação

Para qualquer dúvida, questão ou eventual correcção que deseje realizar, pode utilizar o espaço de comentários abaixo deste artigo, utilizar a nossa página de contato ou ainda remeter um e-mail para geral [@] hometech-etal.pt

 

 

partilhar