Não há dúvida que “bitcoin” é um dos chavões da moda (buzzword) seguida, claro está, da “criptomoeda”.

Se é uma pessoa que tem algum conhecimento financeiro e faz ou já fez investimentos em acções, fundos e outros meios, e tem algum dinheiro de parte, então continue a ler este artigo.

Se é uma pessoa que gosta de tecnologia, tem o “bichinho” por equipamentos, tem algum dinheiro de parte, então continue a ler.

Se não é nenhum dos anteriores mas está curioso por saber afinal de contas o que é este chavão… então continue a ler!

Mas o que é uma “bitcoin”?

A “bitcoin” moeda (também existe o Protocolo “Bitcoin”) é uma unidade de medida que é transaccionada entre dois intervenientes. Ou seja, uma forma de pagamento.

Pensemos no Euro atual sem moedas nem notas a circular. Como fariamos transacções? Possivelmente como muitos de nós já o fazem! Através do nosso cartão de multibanco e dos respetivos terminais das lojas, através do nosso smartphone com sistema wireless, através da app de homebanking do nosso banco, etc…

Não é muito difícil entender que isto já representa um volume muito grande das transações do nosso dia a dia e do mundo das finanças.

Certamente já reparou também que até mesmo para comprar uma casa, recorrendo a crédito, você não chega a “apalpar” o dinheiro. Contudo, no sistema central financeiro, desde o seu banco ao sistema SIBS (Multibanco) até ao banco dos destinatários dos seus pagamentos, as suas transações ficam registadas e o seu saldo, obviamente, fica atualizado.

Simples, não?

De onde vêm as “bitcoins”?

É neste ponto que começam a surgir as dúvidas. No entanto, à semelhança das moedas tradicionais, existiu um ponto de partida “0” para cada uma delas. Um ponto em que uma entidade reguladora (normalmente) emite um conjunto de moedas (leia-se moedas ou notas) e as coloca a circular.

No entanto, no caso das bitcoins, não foi uma entidade reguladora que o fez, mas sim um matemático anónimo (com o pseudónimo Satoshi Nakamoto), que desenhou um sistema em que estas “moedas” podiam ser trocadas sem que houvesse necessidade de ter um só banco central regulador (descentralização), que fosse fácil e rápido de efetuar (uma transferência para o outro lado do mundo demora aprox. 10 minutos a ser validada), possibilitasse o anónimato das transacções, fosse barata, e sobretudo que fosse segura impedindo qualquer falsificação.

Este sistema foi então proposto em 2008/2009 e assenta em complexos cálculos e fórmulas matemáticas, recorrendo sobretudo a criptografia, o que torna o sistema estável e fidedigno, cumprindo assim os requisitos identificados anteriormente.

A chave do sistema está em resolver um problema matemático bastante complexo (no sentido de ser demorado a encontrar o valor da solução) e que, ao fazê-lo, o sistema aumenta o número de bitcoins disponíveis no mercado. Atrás desta descoberta a complexidade aumenta e a corrida para ver quem consegue o valor da próxima solução começa!

Mas, pera aí!… E em que é que resolver fórmulas e problemas matemáticos dá valor a algo que não existe??? Bem, porque ao fazê-lo está-se intrinsecamente a colocar a “máquina” do sistema a funcionar e se ele funciona então os intervenientes podem usufruir do seu valor, ou seja, realizar transacções de forma rápida, barata, anónima, sem intervenientes e bastante segura. Tal como, exemplificando, transferir alguns milhões de dolares de um pais fortemente regulado para o outro menos regulado…entre outros.

Minerar “criptomoedas”

A este processo de resolução de problemas cuja solução é “premiada” com a obtenção de moedas virtuais, chama-se mineração, por analogia ao processo físico de procurar minerais e outras matérias.

Atualmente a bitcoin conta com quase 10 anos de vida e a complexidade constante adicionada aos problemas torna este processo extremamente demorado e obriga a empregar uma quantidade substancial de recursos na sua execução. Estes recursos são sistemas computacionais (computadores) com grandes capacidades de cálculo matemático. Quantos mais recursos colocarmos mais facilmente poderemos concluir os problemas, contudo, estamos a gastar electricidade e a investir dinheiro em equipamento para o fazer.

Registo de transações “blockchain”

Na base deste sistema está uma técnica também bastante abordada recentemente, que dá pelo nome de “blockchain” (cadeia de blocos). De forma simples, traduz-se num registo sequencial de várias transacções de “bitcoins” (os movimentos) agrupadas em blocos. Se as transacções foram válidas o bloco é afixado na cadeia e não pode ser alterado.

Como este sistema é descentralizado todos os novos blocos de transações (extratos) são difundidos por todos os que quiserem fazer parte da rede e ao mesmo tempo são validados por cada um deles.

A analogia para uma situação mais concreta seria se pensássemos que cada um de nós tinha uma cópia dos registos de imóveis, e, quando alguém quisesse vender um terreno, tivessemos todos que validar se esse pessoa era dona do terreno e, posteriormente à venda, todos registássemos o novo proprietário. Se alguém quisesse falsificar a propriedade, teria que ir a casa de todos nós alterar os registos!

Outras criptomoedas e o “hype” do momento

Depois de surgir a “bitcoin” começaram a surgir outras criptomoeada, assentes na mesma tecnologia do blockchain mas que derivam nos problemas a resolver e na geração dos cálculos para a obtenção das “moedas”. Com base nisto os interesses espalharam-se e a bolha espectulativa sobre qual será a “melhor” moeda em termos financeiros começou a surgir.

Isto significa que, atualmente, tanto para investidores como para “mineiros” existe uma oferta muito grande de oportunidades de investimento, até porque podem existir também câmbios entre estas moedas, e portanto existe todo um mercado paralelo às moedas tradicionais.

Outro aspeto que reforça este hype são outros modelos de negócio que podem suportar este mercado, como por exemplo, a criação de serviços de mineração onde algumas empresas facultam os recursos e os meios para alguém minerar e recebem uma taxa em troca desse serviço. Até porque não nos podemos esquecer que se o processo parar deixa de ser possível realizar transacções.

Posto isto, “vale a pena”?

Esta pergunta pode ser vista por duas perspectivas.

  1. A perspetiva do investidor que é alguém que não interessa os aspetos inerentes à obtenção de novas moedas, mas que olha para o sistema como para outro sistema financeiro, isto é, analise o mercado, a tendência de oferta e de procura, a estabilidade, e todas as demais variantes para um bem que, transaccionado está sujeito à conjetura do momento. Se é alguém que tem este perfil e que quer investir em algo que tem por um lado um risco elevado mas por outro pode retornar um potencial lucro, então talvez valha a pena entrar na onda.
  2. Na perspectiva da pessoa que gostava de aplicar recursos na obtenção de moedas para lucro próprio, participar de algo “grande”, e gosta muito de tecnologia. A verdade, para estas pessoas, é que o bom momento já passou, a atual situação do processo torna bastante mais complexo colocar alguns recursos a trabalhar para se conseguir ter um rendimento razoável. Neste momento, o processo é de tal maneira complexo e a quantidade de “mineiros” tão grande, que é necessário realizar um investimento inicial considerável para conseguir ter um retorno em tempo útil. Por exemplo, um placa gráfica de cerca de 1.000,00€ pode obter lucros até 100€ por mês, ou seja, para pagar o equipamento pode levar pouco menos de um ano. Contudo, dada a natureza do sistema, não podemos esquecer que a complexidade aumenta com o tempo e o nº de moedas “ganhas” passa a ser menos. É necessário então re-investir em novo equipamento. Por outro lado, se optar por voltar atrás pode sempre vender o equipamento e minimizar as perdas.

Portanto, se se encaixa num destes perfis (ou em ambos), e tem alguma folga económica para realizar um investimento de algum risco, então poderá muito bem equacionar as criptomoedas como uma oportunidade de obter retorno desse investimento.

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Foto “Make someones day” da Pexels

 

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